“Ele vai fazer prova?” “Vai ser cansativo?” “Como eu explico para ele o que vai acontecer?” Essas são algumas das perguntas que os pais me fazem quando a avaliação neuropsicológica entra na conversa. É natural. Para quem nunca passou por ela, a palavra pode soar técnica e até um pouco assustadora.

Neste texto, explico como a avaliação funciona na prática, etapa por etapa, para que vocês possam chegar mais tranquilos e preparar o seu filho com segurança.

Em resumo: a avaliação neuropsicológica infantil investiga atenção, memória, linguagem, funções executivas, aprendizagem e aspectos emocionais com testes validados e observação clínica. Acontece em média em 4 a 5 sessões, inclui entrevista com os responsáveis e, quando necessário, informações da escola, e termina com uma devolutiva com orientações.

O que é a avaliação neuropsicológica

É um processo especializado que busca compreender de forma ampla o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental da criança ou do adolescente. Ela olha para aspectos como inteligência, atenção, memória, linguagem, funções executivas, aprendizagem e também para as emoções e o comportamento.

O objetivo não é dar uma nota para a criança. É construir um perfil individualizado, que mostre tanto as dificuldades quanto as potencialidades, e que oriente os próximos passos da família, da escola e de outros profissionais.

Etapa 1: a conversa com a família

Tudo começa ouvindo os responsáveis. Nessa entrevista inicial, conversamos sobre a história de desenvolvimento, a rotina, a vida escolar, as preocupações atuais e também sobre o que a criança faz bem. É o momento de colocar todas as dúvidas na mesa.

Algumas partes dessa etapa, como a anamnese com a família e determinadas escalas, podem ser feitas de forma online quando for indicado.

Etapa 2: os encontros com a criança

Depois, a criança vem ao consultório para as sessões de avaliação. Para crianças, esses encontros são prioritariamente presenciais, porque assim temos condições adequadas para a observação clínica e para a aplicação dos instrumentos.

Utilizo testes e instrumentos reconhecidos e validados cientificamente, escolhidos de acordo com a idade e as características de cada caso. Para a criança, muitas atividades se parecem com jogos, desafios e conversas. Mas tão importante quanto as respostas é a forma como ela chega a elas: como reage a uma tarefa difícil, como se organiza, como lida com o erro.

Em média, o processo acontece ao longo de 4 a 5 sessões, considerando a entrevista, a aplicação dos instrumentos e a observação.

Quando necessário, também reúno informações da escola. A professora e a coordenação observam a criança em situações que não aparecem no consultório: em grupo, em sala, no recreio. Essa visão complementa a da família e a minha.

Etapa 3: a análise integrada

Ao final, todos os dados são analisados em conjunto. Os resultados dos testes, que trazem informações quantitativas, são integrados às observações clínicas, à história de desenvolvimento e ao que família e escola relataram.

Esse cuidado é essencial. Um diagnóstico nunca é definido por um único teste. Ele surge da integração de todas essas informações, e é isso que permite contribuir para a investigação diagnóstica de quadros como TDAH, TEA e transtornos de ansiedade, quando for o caso.

Etapa 4: a devolutiva

A devolutiva é o encontro em que apresento os resultados para a família, com orientações claras sobre os próximos passos. Explico o que foi observado, quais são os pontos fortes e as dificuldades da criança e quais encaminhamentos e intervenções fazem mais sentido para ela.

Pode ser a indicação de psicoterapia, de orientação parental, de adaptações na escola ou de acompanhamento com outros profissionais. O importante é que a família saia com um caminho, e não só com um papel na mão.

Como preparar o seu filho

Algumas atitudes simples ajudam a criança a chegar mais tranquila:

Ainda tem dúvidas?

Reuni algumas das dúvidas mais comuns dos pais na página principal, incluindo a diferença entre avaliação e psicoterapia e o formato de atendimento. O consultório fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Se quiser entender se a avaliação é o caminho certo para o seu filho neste momento, é só me mandar uma mensagem. Começamos sempre por uma conversa com a família.

Aline Marchesan é psicóloga clínica e neuropsicóloga infantojuvenil (CRP 05/43767), formada pela PUC-Rio, com especialização em Psicologia Clínica com Crianças pela PUC-Rio e em Neuropsicologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Atende crianças, adolescentes e famílias na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e online.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *